sábado, 16 de julho de 2011

Escrevendo com Luz para gerar sentido na linguagem fotojornalistica

Com certeza se eu pedir para você escrever, em uma frase, um acontecimento, um fato, por menor que seja sua intimidade com as letras, você conseguira desempenhar esta tarefa facilmente, não é? E agora, se eu pedir para você escrever a mesma cena somente com luz, você conseguiria? Não, não estou louco. Quero uma escrita com luz!

Escrever com luz é o ato de registrar fotograficamente uma cena. A palavra fotografia, foto e grafia, vem do grego que quer dizer escrever com luz. Na fotografia jornalística, este escrever com luz é ainda mais difícil, no momento em que você tem que expressar tudo o que acontece ao seu redor em apenas uma imagem.

Para registrar um determinado momento em apenas um ângulo, o foco do fotojornalista ou repórter-fotográfico deve ser muito treinado, dotado de atenção e a sensibilidade necessária para agir em determinadas situações. Imagine você ter que colocar em uma foto um acidente com vítimas. O que registrar nesse momento? As ferragens? O choro dos parentes?Um bloqueio policial na via? Tudo isso é pensado em minutos, lutando contra o tempo para fechar uma pauta na edição do jornal.

Para realizar tais tarefas com precisão, é necessário o estudo constante das técnicas fotográficas, como o enquadramento, velocidade e aberturas, saber manusear o equipamento adequadamente para evitar surpresas. Certo dia presenciei um caminhão que bateu em uma casa. De pronto saquei minha câmera e corri ao local do acidente. Lá chegando tentei bater as fotos e o equipamento não registrava. Entrei em pânico! Fiz todos os testes possíveis e estava tudo ok. “Meu Deus o que acontece”. Minutos depois me dei conta que havia tirado o cartão de memória e ele estava no notebook. Corri até o carro num misto de risos e decepção comigo mesmo, voltei ao local e bati as fotos, apesar de ter perdido tempo precioso, ainda consegui publicar boas fotos. Mas e se não tivesse um cartão de memória na hora? Ficaria sem as fotos.

Além de dominar o equipamento em que você está mexendo, o fator primordial de uma fotografia jornalística é conseguir representar toda a cena, todo o fato, naquele quadrado, na maioria das vezes 10x15. E como fazer isso? Treinando. Desenvolvendo a visão para projetar a cena mentalmente e senti-la no seu íntimo como o momento perfeito. Isto aliado a técnica, bom uso das cores, textura, linhas do assunto, a iluminação ideal para dar o efeito necessário e principalmente um centro de referencia, onde será passado o conteúdo da imagem, são os ingredientes deste bolo fotográfico.

Claro que toda a regra tem sua exceção. Entre pegar um momento único e ficar procurando enquadramento e temperatura da cor, opte pela primeira opção, bata muitas fotos e tenha possibilidade de escolha. Somos caçadores de imagens e como diz o texto “Para gerar sentido: A linguagem fotojornalistica” toda a regra de expressão no jornalismo fotográfico pode ser violada quando a intenção é classificar a mensagem. Mas antes de se violarem as regras é preciso conhecê-las. Por isso quanto mais você ler e escrever com luz, mais capacidade de gerar sentido as suas obras fotojornalisticas.


Augusto Pinz
Estudante de Jornalismo
Universidade Católica de Pelotas-UCPEL

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