sábado, 25 de fevereiro de 2012

E o corpo de bombeiros para Canguçu?

Hoje, Sábado - 25 de fevereiro de 2012 - estive em São Lourenço do Sul acompanhando a comitiva de vereadores de Canguçu durante interiorização do Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Durante vários anúncios positivos, entre eles alguns para Canguçu na educação e saneamento, um me chamou atenção: A Secretaria de Segurança Pública (SSP) e a Prefeitura de São Lourenço do Sul firmaram uma parceria com vistas à criação dos serviços do Corpo de Bombeiros da Brigada Militar no Município.. Até ai tudo bem, afinal com certeza o municipio vizinho precisa do serviços.
O que me deixou preocupado foi que novamente Canguçu ficou de lado nesta questão. Nossa comunidade luta há muito tempo pela instalação de um batalhão do corpo de bombeiros. Já fizemos campanhas de arrecadação de dinheiro, fomos até autoridades estaduais - como o Secretário de Segurança Michels - e nada foi resolvido, nem se quer uma luz no fim do túnel.
Canguçu tem um caminhão de bombeiros guardado no batalhão de Pelotas. Foi uma conquista da comunidade na Consulta Popular. Daí o Governo se comprometeu a liberar 22 bombeiros do novo concurso que será realizado em 2012, mas não sinalizou verbas para construção do prédio ao lado da Brigada Militar (BM), pois, dizia não ter recursos. Engraçado que para Sâo Lourenço do Sul tem dinheiro para isso. E para Canguçu não? É que lá é governo do PT? Só estou perguntando....

Entenda a liberação para Sâo Lourenço do Sul clicando AQUI

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Com Padre Quevedo

Se não me engano foi em 2007 que o Padre Quevedo esteve em Canguçu realizando algumas palestras e dizendo o que "Nón Ecxiste". Eu trabalhava na rádio Cultura AM e entrevistamos ele em um programa chamado "Verdinho" que era uma mescla de informação e humor.
Na foto aparecem Carlos Pinheiro, Geraldo Dannenberg, Oberdã Amaral, Vanuza Leal, Tomaz Soares, Josué Leal e Eu (de vermelho).

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Bom jornalismo fascina e vende

Por: Carlos Alberto Di Franco, diretor do Master em Jornalismo (www.masteremjornalismo.org.br)


As virtudes e as fraquezas dos jornais não são recatadas. Registram-nas fielmente os sensíveis radares dos leitores. Precisamos, por isso, derrubar inúmeros desvios que conspiram contra a credibilidade dos jornais.

Um deles, talvez o mais resistente, é o dogma da objetividade absoluta. Transmite, num pomposo tom de verdade, a falsa certeza da neutralidade jornalística. Só que essa separação radical entre fatos e interpretações simplesmente não existe. É uma bobagem.

Jornalismo não é ciência exata e jornalistas não são autômatos. Além disso, não se faz bom jornalismo sem emoção. A frieza é anti-humana e, portanto, antijornalística. A neutralidade é uma mentira, mas a isenção é uma meta a ser perseguida. Todos os dias. A imprensa honesta e desengajada tem um compromisso com a verdade. E é isso que conta.

Mas a busca da isenção enfrenta a sabotagem da manipulação deliberada, a falta de rigor e o excesso de declarações entre aspas.

O jornalista engajado é sempre um mau repórter. Militância e jornalismo não combinam. Trata-se de uma mescla, talvez compreensível e legítima nos anos sombrios da ditadura, mas que, agora, tem a marca do atraso e o vestígio do sectarismo.

O militante não sabe que o importante é saber escutar. Esquece, ofuscado pela arrogância ideológica ou pela névoa do partidarismo, que as respostas são sempre mais importantes que as perguntas. A grande surpresa no jornalismo é descobrir que quase nunca uma história corresponde àquilo que imaginávamos.

O bom repórter é um curioso essencial, um profissional que é pago para se surpreender. Pode haver algo mais fascinante? O jornalista ético esquadrinha a realidade, o profissional preconceituoso constroi a história.

Todos os manuais de redação consagram a necessidade de ouvir os dois lados de um mesmo assunto. Trata-se de um esforço de isenção mínimo e incontornável. Mas alguns desvios transformam um princípio irretocável num jogo de cena.

Matérias previamente decididas em guetos engajados buscam a cumplicidade da imparcialidade aparente. A decisão de ouvir o outro lado não é sincera, não se fundamenta na busca da verdade. É uma estratégia. O assalto à verdade culmina com uma tática exemplar: a repercussão seletiva. O pluralismo de fachada convoca, então, pretensos especialistas para declararem o que o repórter quer ouvir. Personalidades entrevistadas avalizam a “seriedade” da reportagem. Mata-se o jornalismo. Cria-se a ideologia.

A precipitação e a falta de rigor são outros vírus que ameaçam a qualidade da informação. A manchete de impacto, oposta ao fato ou fora do contexto da matéria, transmite ao leitor a sensação de uma fraude.

Autor do mais famoso livro sobre a história do The New York Times, Gay Talese vê importantes problemas que castigam a imprensa de qualidade. “Não fazemos matéria direito, porque a reportagem se tornou muito tática, confiando em e-mails, telefones, gravações. Não é cara a cara. Quando eu era repórter, nunca usava o telefone. Queria ver o rosto das pessoas.”

“Não se anda na rua, não se pega o metrô ou um ônibus, um avião, não se vê, cara a cara, a pessoa com quem se está conversando”, conclui Talese. E o leitor, não duvidemos, capta tudo isso.

O leitor que precisamos conquistar não quer o que pode conseguir na TV ou na internet. Ele quer algo mais. Quer o texto elegante, a matéria aprofundada, a análise que o ajude, efetivamente, a tomar decisões. Conquistar leitores é um desafio formidável. Reclama realismo, ética e qualidade.

A autocrítica, justa e necessária, deve ser acompanhada por um firme propósito de transparência e de retificação dos nossos equívocos. Uma imprensa ética sabe reconhecer seus erros. As palavras podem informar corretamente, denunciar situações injustas, cobrar soluções. Mas podem também esquartejar reputações, desinformar. Confessar um erro de português ou uma troca de legendas é fácil. Mas admitir a prática de atitudes de prejulgamento, preconceitos informativos ou leviandade noticiosa exigem coragem ética.

Nossa profissão enfrenta desafios, dificuldades e riscos sem fim. E é aí que mora o desafio.