terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

COMEÇO DO BOCHINCHO NO RS


O dono de venda foi intimado para depor sobre a violenta briga acontecida ontem no seu armazém, no Iguariaçá. Três mortos, oito feridos, um horror...
- No meu bolicho, seu delegado. Quem sou eu para ter armazém? Armazém é o do turco Salim, que foi mascate. Por sinal que...
- Não desvie do assunto. Como e por que começou a briga?
- Bueno, pos então contemo a coisa. Domingo, como vosmecê sabe, o meu bolicho fica de gente que nem corvo em carniça de boi atolado. O dotor entende: a peonada no más, uns na frente, atirando a tava por nada; outros dentro, charlando à toa, sentados nos toco, loucos por um trago ou por uma china. A minha canha é da pura, não batizo com água de poço como o turco Salim. Que por sinal...
- Continue, continue, deixe o turco em paz.
- Pois então bamo reto que nem goela de joão-grande. Tavam uns quinze hotomando umas que outras, uns mascando fumo e outros comendo salame pra enganar o bucho, quando passou o Faca Feia com seu pingo tostado. Viu movimento, deu de redea e voltou. O dotor sabe, o guasca é mais metido que dedo em nariz de piá. Foi se achegando, largou uma cusparada no chão da entrada e deu um planchaço com o Três Lista no balcão, logo berrando se havia home no bolicho. A indiada coçou as bolas. Home tem bola, o senhor sabe. O Lautério - que não é flor de cheirar com pouca venta – disse que era com ele mesmo: deu de mão numa tranca e rachou a cabeça do Faca Feia. Um contraparente do Faca Feia, que não gostou do brinquedo, veio de fora e sentou a argola do mango no Lautério. Pegou no olho e o Lautério saiu ganiçando que nem cusco que levou água fervente no lombo. Um quera do Lautério, que não aguentou a desfeita, se botou no contraparente do Faca - que já tava batendo a perninha, puxou da adaga, riscou o chão e enfiou palmo e meio de ferro branco no sovaco do dito cujo, que chamam Pé de Sarna. 
Um irmão do Sarna, acho que chateado com aquilo, pegou um peso de cinco quilos da balança e achatou a cabeça do indio que faqueou o Sarna. Os óio saltaram, seu dotor. E eu só de revesgueio, achando tudo aquilo tempo perdido.
Um primo longe do homem do ferro branco embrabeceu, rebuscô um machado no galpão de trás e de táio golpeo o irmão do Sarna. Errou a cabeça, só conseguindo atorá o braço do vivente.
Aí eu fui ficando nervoso. Acomodei minha boca de fogo no mole da barriga, pronto pra um quero. Meu bolicho é casa de respeito, seu delegado, e a brinca já tava ficando pesada. Mas bueno, foi entonces que o Miguelão se alevantou do banco, atirou fora o paiêro, palmeou uma carneadeira com a calma de vaca mansa, chegou por trás do homem do machado, pé ante te pé, grudou ele pelas melena e degolou o pobre bicho num táio só, a coisa mais linda do mundo. O sangue esguicho longe como mijada de cuiúdo.
Aí eu e mais uns outro - tudo home de respeito - se arrevoltamo com aquilo. Brinquedo tem hora, o senhor não acha?
- Acho, sim. Mas e aí?
- Pois, como lhe disse, nós se arrevoltemo. Saquemo os talher. E foi aí que começou a peleia de verdade....
Extraído do Jornal "O DESGARRADO"

2 comentários:

  1. ele foi o fenonimo que nos sur preenderam com suas forças nos ajudou a ser livris para sentir a presença do espirito

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  2. creci ouvindo as menssagens deste homem de deus e ja estou sentindo a saldade muinto me ajudou

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